Estudos revelam correlação entre a perda auditiva e o tratamento do câncer

Estudos revelam correlação entre perda auditiva e tratamento do câncer

Estudos revelam correlação entre a perda auditiva e o tratamento do câncer

Os médicos têm um vasto conhecimento sobre os diversos efeitos da quimioterapia e da radioterapia. Entretanto, nos últimos anos pesquisas demonstraram os riscos da perda auditiva ou outros problemas relacionados (ex: zumbido) após o tratamento de câncer nos pacientes. Esses estudos revelam uma forte correlação entre a perda auditiva e o tratamento do câncer, devido principalmente aos medicamentos utilizados na quimioterapia.

Ototoxicidade e sua relação com o tratamento de câncer

Medicamentos da quimioterapia ou radioterapia podem causar a ototoxicidade. Ela, por sua vez, pode ocasionar uma perda auditiva temporária ou permanente, dependendo do tipo e duração do tratamento. Isso ocorre devido às drogas e aos componentes químicos que atingem o ouvido interno. Além da perda auditiva, alterações no equilíbrio e zumbido podem também ocorrer.

Os mais comuns ototóxicos utilizados no tratamento do câncer e associados à danos na audição são os quimioterápicos baseados na platina (cisplatina e carboplatina) e radiação na cabeça e pescoço. Esse tipo de quimioterápico é frequentemente usado no tratamento do câncer de cabeça, pescoço, ovários e bexiga nos adultos. Em crianças é usado principalmente no tratamento de câncer no cérebro, ósseo e de fígado.

Efeitos da ototoxicidade nos adultos

  • Efeitos físicos: problemas de equilíbrio e maior probabilidade de quedas, especialmente em idosos.
  • Consequências psicológicas: depressão, isolamento, ansiedade, raiva e baixa autoestima.
  • Impacto econômico: aumento da taxa de desemprego, dificuldade de permanecer no emprego ou de promoção na carreira.

Por conta desses efeitos, os oncologistas fazem o possível para reduzir a grande exposição de ototóxicos durante o tratamento. Quando é necessário um tratamento mais agressivo, é importante considerar outras opções de tratamentos auditivos, como o uso de aparelhos auditivos, que auxiliam em 95% dos pacientes com perda auditiva.

Efeitos ototóxicos em crianças

Apesar dos poucos dados estatísticos disponíveis, os pesquisadores acreditam que o número de crianças sobreviventes ao câncer e com perda auditiva (como consequência da exposição aos ototóxicos) é significante. Em um estudo com 67 pacientes com idade entre 8 a 23 anos e submetidos à quimioterapia, 61% apresentaram perda auditiva pós-tratamento. As frequências altas foram as mais afetadas.

A perda auditiva nas frequências altas em crianças afeta principalmente a compreensão de fala. As crianças não percebem que não estão interpretando a fala corretamente e, em muitos casos, a perda auditiva pode passar desapercebida ou não ser diagnosticada. As consequências de não intervir a tempo são:

  • Atraso no desenvolvimento da fala e linguagem
  • Déficits de aprendizagem
  • Dificuldades psicológicas e sociais

 

Qual é o papel do audiologista?

É de extrema importância o envolvimento de um audiologista durante e após o tratamento do câncer. Durante, o profissional pode monitorar os efeitos da exposição aos ototóxicos e recomendar uma intervenção precoce se for necessário. Quando o tratamento é finalizado, o profissional da audição poderá avaliar os efeitos da ototoxicidade e, se necessário, oferecer tratamentos e reabilitação auditiva, que podem incluir os aparelhos auditivos. Com os avanços na medicina, mais opções de tratamentos estão disponíveis e as taxas de sobrevivência continuam a subir. Assim, é necessário profissionais da saúde para considerar a melhor qualidade de vida para os pacientes pós-tratamento.

 

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